O texto literário como brinquedo no
jogo do teatro com crianças de séries iniciais
Adriano Moraes Oliveira
|
Referências
bibliográficas
|
OLIVEIRA, Adriano Moraes
O texto literário como brinquedo no jogo do teatro com crianças de séries
iniciais.In: ouvirouver– Revista do programa de pós-graduação em Artes da UDUFU. Universidade Federal de Uberlândia. Vol.6,nº1
(jan/jun 2010).
|
|
Breve resumo
|
Este
artigo trata de questões relativas à adoção do discurso ‘brincar com textos literários’ no ensino e
aprendizagem de teatro com crianças de
séries iniciais. Percorre um
trajeto que vai desde uma experiência com um grupo de crianças paranaenses até um
percurso teórico que justifica o uso de um discurso que remete, em primeira instância, ao prazer
de jogar:o papel do brinquedo na construção do conhecimento; a função social do brinquedo
a partir de perspectivas sociológicas e filosóficas;
e as especificidades do texto
literário como um brinquedo simbólico em meio à atual conjuntura social e
política.
|
|
Transcrições de citações mais
importantes
|
O
brinquedo exerce um papel fundador no desenvolvimento e na aprendizagem. É
por meio do brinquedo que as crianças obtêm experiências e preparam-se para a
vida adulta. O brinquedo refere-se à infância, mas é uma atividade que permanece
na vida adulta. O jogo, por sua vez, engloba a atividade de brincar que se
mantém ativa na estrutura, na configuração do jogo.
Em O
papel do brinquedo no desenvolvimento (2003), Vigotski argumenta que o brinquedo
não pode ser tomado apenas como um objeto que produz exclusivamente prazer. O
psicólogo dá alguns exemplos de casos, nos quais o brinquedo não promove apenas
prazer, mas também desprazer. Assim, aproxima a ideia de brinquedo com a de
uma espécie de jogo no qual há a participação de objetos que facilitam o ingresso
de crianças no mundo imaginário e, através deste, o ingresso a partir da
formação de conceitos, no mundo real, na realidade.
No
momento em que uma criança inventa ou reinventa diversas situações a partir de
um texto, ela passa da forma (no sentido de semiótico, de língua) em direção
à trans-forma2 (no sentido de semântica, de discurso), que pode ser entendida
como uma nova forma devido ao ato de reinvenção dos conteúdos do livro
tipográfico, manuscrito, etc.
Portanto,
para que haja situação de brinquedo é preciso entender o que o brinquedo
solicita, quer dizer, ao príncipe cabem algumas ações, à bruxa outras, ao
lobo outras ainda, etc. Não é possível ao Lobo salvar Chapeuzinho Vermelho;
ao Lobo cabem apenas ações que possam provocar terror à protagonista do
conto. Assim como num jogo de xadrez, o texto admite, dentro de seu universo,
uma série de possibilidades, e só é possível brincar com tais possibilidades.
A
essência do brincar não é um “fazer como se”, mas um “fazer sempre de novo”,
transformação da experiência mais comovente em hábito. Pois é o jogo, e nada
mais, que dá à luz todo hábito. Comer, dormir, vestir-se, lavar-se devem ser
inculcados no pequeno irrequieto de maneira lúdica [...]. O hábito entra na
vida como brincadeira, e nele, mesmo em suas formas mais enrijecidas,
sobrevive até o final um restinho de brincadeira. Formas petrificadas e
irreconhecíveis de nossa primeira felicidade, de nosso primeiro terror, eis o
que são os hábitos. (BENJAMIN, 2004, p. 102).
Isso quer
dizer que o brinquedo dentro desta lógica opera como uma espécie de agente
catalisador que tem a função de pura reprodução de habitus. Porém, o
brinquedo suscita na criança situações imaginárias que são experimentadas no
ato de brincar e que podem servir para a transposição dos limites do habitus.
Dessa
forma, o domínio do brinquedo, no nosso caso o livro tipográfico que
transporta o texto literário, poderá ser um caminho para o rompimento de
barreiras, pois esse domínio refletirá no capital cultural do sujeito. É
através da relação com o brinquedo que a criança é convidada a experimentar
ações que poderão ser hábitos da fase adulta.
Muitas
vezes, o que se percebe é que os processos educacionais são isolados dos
contextos políticos, ideológicos, culturais que são a razão mesma da
existência dos referidos processos. Pelo simples exemplo do brinquedo,
podemos observar que a criança aprende e se forma culturalmente também em
processos que se situam fora e extra-escola, que são pautados por uma espécie
de “currículo oculto”, segundo Henry Giroux: As salas de aula e os estudantes
não existem em total isolamento, abstraídos da sociedade mais ampla em que
vivemos. As técnicas pedagógicas utilizadas para o ensino da escrita e do
pensamento crítico perdem o significado caso não incorporem o “capital
cultural” que estrutura a vida dos estudantes. (1997, p. 108).
|
|
Comentário pessoal
|
O texto fala do brinquedo como um
objeto essencial no desenvolvimento da criança. E que a imaginação é um
processo que materializa esse brinquedo. A ação de brincar permite a criança
sempre criar situações imaginárias. É também no jogo onde as crianças iniciam
suas relações com as regras. A idéia de pré jogo e da aproximação do texto
literário desde a primeira infância permitindo a criação, a fragmentação para
melhor entendimento a partir do que acredita o autor de que esse texto seja
também um jogo.
|
|
Utilização de materialidades no
processo criativo
|
Texto
literário
...Enquanto
materialidade que é composta de situações imaginárias. Nos dois casos, o texto torna-se um agente que apontará para novas ou
outras possibilidades de imaginação. O texto literário, por esse viés, torna-se
brinquedo por excelência: é produto da imaginação de um sujeito
destinado à recriação de outro.
|