Formar o espectador infanto-juvenil
para ver e fazer teatro - Roger Deldime
Referências
bibliográficas
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DELDIME,Roger.
Formar o espectador infanto-juvenil para ver e fazer teatro. In: Sala Preta – Revista de Artes Cênicas.
São Paulo, nº2, 2002.
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Breve
resumo
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A quadrilha ver-formar
praticar-jogar representar
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Transcrições
de citações mais importantes
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A experiência demonstra: a formação
do espectador infanto-juvenil precisa estar calcada, ao mesmo tempo, no
“ver”, no “fazer”, no “mostrar” e na formação teatral dos professores.
A gestão
destes projetos, porém, exige enorme gasto de energia, além de um importante
trabalho de coordenação e uma observação atenta sobre cada uma das diversas
etapas da realização, e é aqui que se localiza o indispensável trabalho de
mediação desempenhado por La Montagne Magique. Este é um preço necessário a
ser pago, se quisermos evitar a esclerose causada pela institucionalização.
O
oferecimento de diversas criações artísticas profissionais ao público
infanto-juvenil, a iniciação dessas crianças e jovens enquanto espectadores,
a formação teatral dos professores, o estímulo às práticas de expressão
dramática, a montagem de cenas pelos alunos, são atividades que exigem um
esforço contínuo, esforço este que sustenta toda prática em educação. Para
ser eficaz e convincente, a formação do espectador teatral precisa estar
vinculada às idéias de duração e de permanência, encarando o tempo como um
eminente desafio da ação educacional.
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Comentário
pessoal
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A
estrutura do ambiente onde foi desenvolvido o trabalho do autor, é bem
diferente do ambiente vivenciado por nós aqui. Porém o que Deldime chama
Quadriga
é muito utilizado por nós também, independente do contexto.
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Utilização
de materialidades no processo criativo
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Texto
Através
de fragmentos de Macbeth, Romeu e Julieta, Como Gostais, Otelo, Ricardo
III, Júlio César, Hamlet, O Mercador de Veneza e A Megera Domada, os
adolescentes apropriam-se livremente do gênio de Shakespeare, carregando de
dinamismo e espontaneidade textos que em recitais magistrais, por vezes, se
tornam profundamente entediantes.
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Fichamento
Habituar
crianças e jovens a se relacionarem com o teatro enquanto espectadores atentos,
estimulá-los a experimentar a arte dramática enquanto aprendizes criativos,
além de iniciar os seus professores nos domínios desta arte, convidando- os a
se tornarem parceiros interessados, assim se pode definir a especificidade do
projeto cultural e educativo do Teatro La Montagne Magique, criado em 1995.
A experiência demonstra: a formação do
espectador infanto-juvenil precisa estar calcada,
ao mesmo tempo, no “ver”, no “fazer”,
no “mostrar” e na formação teatral dos professores.
Etapas2
1)
Descoberta do espetáculo, seguida de um encontro dos alunos com os artistas,
que explicitam as intenções dramatúrgicas e a decodificação dos signos cênicos,
chamando a
atenção dos
jovens para algumas das características relevantes do espetáculo. Focalizar o
olhar dos espectadores para o papel da iluminação ou da música, a utilização do
espaço, a função de um figurino ou de um adereço, a atitude de um personagem
2) Formação
teatral dos professores, ministrada pelos artistas do espetáculo, durante um ou
mais finais de semana.
3) Os
alunos das escolas participantes criam as próprias cenas teatrais. A equipe do Teatro
La Montagne Magique fornece assessoria aos professores, ajudando-os a suplantar
os obstáculos imprevistos durante o processo de criação.
4) As
turmas mostram suas cenas no Teatro La Montagne Magique, quando se promove o
“Encontro de Teatro Escolar”, em que os alunos apresentam-se no palco de um
verdadeiro teatro, que dispõe de logística e aparatos técnicos profissionais, o
que valoriza as criações dos alunos e legitima o trabalho dos professores envolvidos.
A montagem
estimula o gosto pela poesia do texto e possibilita a descoberta de que podemos
traduzir, adaptar e representar Shakespeare de muitas maneiras, trabalhando com
esse monumento da cultura, considerado o grande clássico dos clássicos, sem perder
a liberdade criativa.
Motivados por
esta representação, e estimulados por seus professores, que realizaram uma
oficina prévia de formação, os alunos, por sua vez, mergulham num processo de
investigação e montagem dos textos que escolheram para trabalhar. A evolução
das oficinas de montagem é coordenada pelo ator Christian Baggen; além disto,
os professores participam de reuniões freqüentes com Jean Lucke, responsável
pelos projetos desenvolvidos na Montagne Magique.